A Fiocruz vai conceder, na próxima terça-feira (16/12), o título de Doutor Honoris Causa ao cantor e compositor Milton Nascimento, um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira. A cerimônia será realizada às 16h, no auditório da Fiocruz Minas, em Belo Horizonte (Avenida Augusto de Lima, 1715, Barro Preto), e o artista será representado pelo maestro de sua banda, Wilson Lopes. A homenagem, aprovada por unanimidade pelo Conselho Deliberativo da Fiocruz, reconhece a relevância da obra de Milton como instrumento de resistência, crítica social e afirmação de identidades ao longo de mais de seis décadas de trajetória artística.
“O legado artístico de Milton Nascimento é inegável e sua obra está em sintonia com a missão da nossa instituição. Desde o início da carreira, ‘Bituca’ utilizou seu canto e sua musicalidade como instrumentos de conscientização, transformação social e resistência democrática”, explicou o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. “É motivo de orgulho conceder essa homenagem a um dos maiores ídolos da música brasileira, que tem uma carreira marcada pela excelência com reconhecimento também no exterior. A celebração ganha um significado ainda mais especial por ocorrer em Minas Gerais, a terra que o viu crescer e onde nasceu o lendário Clube da Esquina”.
Milton usou a música como um meio de denúncia social e combate às injustiças desde o começo de sua carreira, especialmente durante a ditadura militar no Brasil, quando contornou a censura por meio de experimentações sonoras, metáforas e recursos poéticos. Sua obra musical, caracterizada por uma forte influência política, espiritualidade e promoção dos direitos humanos, teve um papel importante nos movimentos sociais e inspirou várias gerações.
Carreira
Milton Nascimento nasceu no Rio de Janeiro, em 26 de outubro de 1942. Órfão de mãe ainda bebê, viveu em Juiz de Fora (MG) e, depois, em Três Pontas, onde cresceu com os pais adotivos, Lília e Josino Campos, que estimularam desde cedo sua formação musical. Aos 13 anos ganhou seu primeiro violão e, aos 15, formou, ao lado do amigo Wagner Tiso, o grupo vocal Som Imaginário, seguido pelo conjunto W’s Boys, que se apresentava em bailes da região.
No início da década de 1960, mudou-se para Belo Horizonte (em Minas Gerais), onde integrou o movimento que daria origem ao histórico Clube da Esquina, ao lado de Lô Borges, Beto Guedes, Márcio Borges e Fernando Brant, formação que revolucionou a sonoridade da música brasileira e projetou Minas Gerais para o cenário internacional. Em 1967, Milton alcançou notoriedade nacional ao classificar três músicas no Festival Internacional da Canção da TV Globo, incluindo Travessia , que conquistou o segundo lugar e marcou definitivamente sua carreira. Sua projeção internacional ampliou-se ainda naquele período, com a gravação de Courage nos Estados Unidos, em 1968. Ao longo da carreira, lançou 47 álbuns, participou de 13 filmes, conquistou quatro Grammys e colecionou parcerias com grandes nomes nacionais e internacionais.
Foto: Reprodução / Youtube
Agência Gov / Via Fiocruz



